DA PRODUÇÃO DAS COISAS HUMANAS E DA PRODUÇÃO HUMANA DE SI

O presente escrito discute os principais lineamentos conceituais que caracterizam no pensamento marxiano o processo de trabalho como uma das determinações fundamentais e constitutivas do ser dos homens. Neste sentido, o alvo da análise será a explicitação daqueles elementos categoriais que sustentam a definição da forma humana da atividade produtiva como instância de delimitação ontológica do ser propriamente vivo humano em comparação com aqueles que delineiam, em sua generalidade, a forma ainda animal de mediação ativa com o mundo. Não se tratará então do trabalho como determinação meramente antropológica, como um traço isolado e destacado, mas como um modo de atuação objetivo peculiar ao humano em sua relação de tripla apropriação do natural. Apropriar-se que é dúplice da natureza, por um lado, no ato de tomá-la como objeto e concomitantemente torná-la apropriada aos carecimentos humanos. E, de outro lado, é simultaneamente apropriação transformadora de suas propriedades objetivas – existentes na corporeidade humana – na forma da mobilização hábil e competente de capacidade de produção, e, na realidade social capitalista, como força de trabalho. Assim, ao produzirem coisas, os indivíduos humanos, vivos e ativos, socialmente determinados, se produzem historicamente.

DA PRODUÇÃO DAS COISAS HUMANAS E DA PRODUÇÃO HUMANA DE SI

DOI: 10.37572/EdArt_2808214461

Palavras chave: Atividade, Produção, Autoprodução, Individualidade, Sociabilidade

Keywords: Activity, Production, Self-production, Individuality, Sociability

Abstract:This paper discusses the main conceptual mainframe that characterize in Marxian thought the work process as one of the fundamental and constitutive determinations of the being of men. In this sense, the aim of the analysis will be the elicitation of those categorical elements that support the definition of the human form of productive activity as an instance of the ontological delimitation of the human being itself in comparison with those that generally outline the still animal form of mediation with the world. Work will not be treated as merely anthropological determination, as an isolated and distinguished trait, but as a mode of objective action peculiar to the human in its relation of triple appropriation of the natural. To take for granted that it is a double of nature, on the one hand, in the act of taking it as an object and concomitantly making it appropriate to human lack. And, on the other hand, it is simultaneously the transforming appropriation of its objective properties - existing in the human body - in the form of skilful and competent mobilization of production capacity and, in the capitalist social reality, as a workforce. Thus, in producing things, living, active, socially determined human individuals are produced historically.

Autores

  • Antônio José Lopes Alves
  • Sabina Maura Silva