Aprender a aprender no entardecer da vida: O retorno à universidade na promoção do envelhecimento ativo

O sonho da humanidade em viver mais tempo está a transformar-se num desafio sem precedentes, carregado de consequências contrastadas, quer a nível individual quer em temos coletivos. A marcha do tempo é imparável e o uso enriquecedor do tempo parece contrariar ou compensar o processo degenerativo que é o envelhecimento. Enquanto se fomentam as relações e situações de reencontro intergeracional, promove-se um envelhecimento ativo que contribua para acrescentar qualidade de vida aos anos e bem-estar social nas vivências em sociedade.  No dealbar do século XXI, digitalizam-se as sociedades e reinventam-se aprendizagens para todas as idades e gerações. Por inércia ou incúria, esquecemos que os tempos exigem uma formação prolongada, recorrente, continuada e informada. As atuais regras de mercado carregam as marcas da desatualização permanente, da obsolescência tecnológica e funcional. Devido à vertiginosa mudança de requisitos de empregabilidade, os ativos mais velhos experimentam a necessidade de ter de voltar a retomar o ensino onde um dia o deixaram, sentindo a efetiva necessidade de completar ou de aprofundar a sua formação inicial ou ainda de vir a adquirir uma outra. Procuraremos, na presente comunicação, situar algumas das formas de atenuar os efeitos do envelhecimento perante o trabalho profissional e a desclassificação social na reconquista de um tempo próprio pela via formativa. Recorrendo ao ensino universitário regular ou integrando-se nas Universidades da Terceira Idade, as gerações mais velhas procuram contrariar a obsolescência que enforma os estereótipos que sobre eles recaem, as quais acabam por limitá-las na sua ação.

Aprender a aprender no entardecer da vida: O retorno à universidade na promoção do envelhecimento ativo

DOI: 10.37572/EdArt_19042133012

Palavras chave: Usos do tempo; Envelhecimento; Universidade Terceira idade; Aprendizagem ao longo da vida

Keywords: Uses of time; Aging; University Seniors; Learning in the life course

Abstract:The dream of humanity to live longer faces an unprecedented challenge, full of contrasting consequences both for individuals and collective. Time is unstoppable and the enriching use of time seems to contradict and compensate the degenerative process of aging. So, in this sense, while relationships and intergenerational practices are promoted, active aging experiences contributes to quality of life and social well-being in society. In the beginning of the 21st century, we digitalize society and we reinvent ways of learning for all ages and generations. Nevertheless, we forget that actual times require an extended, recurrent, continuous and informed training in the face of technological and functional obsolescence. Due to changes in employment requirements, older workers need to return back to formal school and retake studies, feeling the effective need to complete or deepen their initial training or even acquire other competencies. With this paper we aim to place in discussion some forms that mitigate the effects of aging at work as well as the social delimitation considered in the achievement of the time by education and training. Older generations search formal high education or get integrated in Universities of Third Age, seeking to contradict ageism stereotypes that limit actions and experiences of these older citizens.

Autores

  • Licínio Manuel Vicente Tomás