POEMAS METALINGUÍSTICOS PARA CRIANÇAS: ESTILOS DE SE CONCEBER E ENSINAR POESIA

As temáticas da poesia para crianças sempre oscilaram entre elementos resultantes da apresentação do mundo (lugares, sentimentos, objetos) a partir de uma ótica de adulto e elementos do universo infantil nas inúmeras maneiras de se olhar esse mundo adulto. São, por um lado, poemas que ensinam; poemas com princípios morais; poemas narrativos (fatos cotidianos e cômicos), e por outro, poemas narrativos e descritivos a partir do ponto de vista das crianças; e poemas que alinham, pelo menos, duas gerações. A multiplicidade e a variação da temática são resultado principalmente desse embate entre tempos em um mesmo espaço. No entanto, um dos temas parece permanecer desde que se começa a escrever para crianças e transita do mundo adulto para o mundo infantil – trata-se da metalinguagem. São poemas que indicam a concepção do que seja a poesia, o próprio poema; ou ainda que identifiquem quais as formas de se ler o poético e apreciá-lo. Desses poemas, essa comunicação tem como objeto quatro deles, de três poetas. O primeiro é José Paulo Paes, em dois poemas “Convite” (Poemas para brincar, 1990) e “Poesia e Prosa” (Vejam como eu sei escrever, 2001); o segundo, Almir Correia, em “Meu poema abana o rabo” (de livro de mesmo título, 2004); e o terceiro de José Jorge Letria, em A casa da poesia, livro composto por um único poema. Para a análise da metalinguagem, serão identificadas as imagens associadas ao poema e à poesia, pela escolha lexical e sintática, tendo como instrumental analítico, os da Estilística e dos estudos do estilo, Martins (2003), Possenti (2007), e da Estilistica Discursivo-Textual, segundo Micheletti (2014), e também os da metalinguagem, Campos (2004) e Chalhub (1998). 

POEMAS METALINGUÍSTICOS PARA CRIANÇAS: ESTILOS DE SE CONCEBER E ENSINAR POESIA

DOI: 10.37572/EdArt_28012126211

Palavras chave: Estilística, poema metalinguístico, poema e poesia

Keywords: Stylistics, metalinguistic poem; poem and poetry

Abstract:Themes in poetry for children have often oscillated between elements springing from an adult’s rendering of the world (places, feelings, objects) and elements springing form a child’s perspective on the world of adults. Poems for children may be poems that teach, that impart moral principles; narrative poems (everyday life; funny poems); narrative and descriptive poems from a child’s point-of-view; poems which intertwine the points of view of, at least, two generations. Thematic multiplicity and variations derive mainly from this clash of different times within the same poetic space. There is one theme, however, which seems to be omnipresent in the poetry adults write for children – metalanguage. These are poems which present an understanding of what poetry is; or, alternatively, which point to different ways to read and enjoy poetry. This chapter examines four poems of the latter kind, by three different poets: José Paulo Paes’ “Convite” [Invitation] (in Poemas para brincar [Poems for playing], 1990) and “Poesia e Prosa” [Poetry and prose] (in Vejam como eu sei escrever [See how well I can write], 2001); Almir Correia’s “Meu poema abana o rabo” [My poem wags the tail] (in a 2004 by the same title); José Jorge Letria’s A casa da poesia [The home of poetry], in a book made up by a single poem. In order to analyze metalinguistic strategies in these poems, lexical and syntax choices will be used to identify imagery associated to poems and poetry. The theoretical framework is provided by Martins (2003), Possenti (2007), for stylistics; Micheletti (2014) for Discourse-Textual Stylistics, and by Campos (2004) e Chalhub (1998) for metalanguage.

Autores

  • Ana Elvira Luciano Gebara